Guia de Bombinhas
Mergulho junto à Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, trilhas que terminam em mirantes sobre o mar, passeios de barco, ondas, pesca artesanal e a cozinha do mar. Um guia de quem mora aqui, atividade por atividade.
Bombinhas é conhecida como a capital catarinense do mergulho ecológico, e o motivo está a poucas milhas da costa: a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo. Criada em 1990 e administrada pelo ICMBio, ela protege as ilhas do Arvoredo, da Galé e Deserta e o Calhau de São Pedro, e é peça-chave na reprodução dos peixes deste trecho do litoral. É esse mar protegido que faz as águas de Bombinhas renderem tanto para quem coloca uma máscara no rosto.
Mas não é preciso ir longe para ver peixe. Os costões das enseadas abrigadas concentram vida marinha a poucos metros da areia, e boa parte do mergulho em Bombinhas começa com o pé na praia.
Por ser reserva biológica, unidade federal de proteção integral, o Arvoredo não é aberto à visitação: o acesso é restrito a pesquisa e educação ambiental, com autorização do ICMBio. O mergulho recreativo acontece no sul da Ilha do Arvoredo, junto ao farol da Marinha, em área fora dos limites da reserva. É para lá, e para os costões da península, que seguem as saídas diárias das operadoras de mergulho da cidade.
Dentro da cidade, a Sepultura é o melhor ponto de snorkel: uma enseada curta, protegida por dois costões, de água esverdeada e quase parada. A vida marinha aparece logo nos primeiros metros, e no fundo da enseada está a Bio Vida III, escultura submersa do artista plástico Pita Camargo. A Praia de Bombinhas e o costão esquerdo de Quatro Ilhas também rendem bons cardumes para quem vai só de máscara.
Quem nunca mergulhou de cilindro pode fazer um batismo: a primeira experiência de mergulho, em água calma e rasa, com um instrutor que fornece o equipamento e explica o básico — sem certificação prévia. As operadoras da cidade dão aulas tanto para iniciantes quanto para mergulhadores experientes.
Onde acontece
Ver Bombinhas do mar é entender a península: os costões, as enseadas escondidas e as ilhas que desenham o horizonte só aparecem por inteiro a bordo. A cidade tem várias empresas de passeio de barco, em dois estilos: os tranquilos, para apreciar a paisagem, e os de aventura, com piratas, pensados para divertir a família. Há saídas de escuna do Mar de Dentro de Canto Grande, entre outros pontos.
Na Baía de Zimbros, há passeios que percorrem as áreas de cultivo de ostras e mexilhões e mostram de perto como funciona a maricultura. E, para quem mergulha, as operadoras têm saídas diárias de barco para os costões da península e para o sul da Ilha do Arvoredo.

Onde acontece
Bombinhas é uma península de morros cobertos de Mata Atlântica, e quase toda trilha daqui termina no mesmo prêmio: o mar visto de cima. Duas unidades de conservação municipais concentram os melhores caminhos — o Parque Natural Municipal do Morro do Macaco, em Canto Grande, e o Parque Natural Municipal da Costeira de Zimbros, no sul da península.
A Trilha do Morro do Macaco fica em Canto Grande, Bombinhas (SC). É uma caminhada de nível moderado, com cerca de 1.200 metros de subida íngreme. O acesso é gratuito e leva de 30 a 50 minutos para chegar ao topo, que recompensa os visitantes com vistas panorâmicas de 360 graus.
Sai do mesmo pórtico do Morro do Macaco, na Rua Jequitibá, em Canto Grande, e segue pela mata até a Praia da Tainha, passando pela Praia da Aguada. São cerca de 5,1 km ida e volta, de nível moderado, indicados para quem tem bom condicionamento e já está acostumado a trilhas.
A trilha mais longa da cidade: cerca de 8 km só de ida, de 3 a 5 horas até a Praia Vermelha, com volta pelo mesmo caminho. Sai da Praia do Cantinho, no canto direito de Zimbros, e passa por praias agrestes que só se alcançam a pé ou pelo mar — Cardoso, da Lagoa, Triste e Vermelha são as principais. É fácil a moderada até a Praia da Lagoa e fica mais fechada depois dela.
No mesmo maciço, a 218 metros de altitude, fica o Mirante Eco 360°, na estrada da Praia da Tainha. A entrada é paga e a subida até o topo leva uns 15 minutos. Do alto do Morro do Macaco e do mirante se veem Canto Grande, Mariscal, Quatro Ilhas, Zimbros e as ilhas da reserva do Arvoredo.

Onde acontece
Nem todo o mar de Bombinhas é piscina. As praias voltadas para o mar aberto pegam ondulação de verdade, e duas delas concentram o surf da cidade: Quatro Ilhas e Mariscal.
Em Quatro Ilhas, o costão direito recebe a ondulação de sul e sudeste e é palco frequente de campeonatos; o esquerdo, calmo e raso, é o lugar do stand up paddle e do snorkel. Mariscal, a praia mais extensa da cidade, tem mar aberto e ondas ao longo da faixa de areia. Nas águas paradas do Mar de Dentro, em Canto Grande, a remada é tranquila.

Foto: W.Feistler — CC BY-SA 3.0
Onde acontece
Antes do turismo, Bombinhas era terra de pescadores e lavradores de herança açoriana, e esse passado continua à vista para quem sabe onde olhar.
No Sertãozinho, o Museu Comunitário Engenho do Sertão guarda objetos e narrativas do período do povoamento açoriano e mantém vivas as tradições da gastronomia, do folclore e dos costumes de Bombinhas. Na visita, guiada e com agendamento, dá para provar a consertada — bebida de cachaça, café e especiarias, considerada patrimônio cultural do município — e o beiju de mandioca.
Entre 1º de maio e 31 de julho, a pesca da tainha toma conta das praias. Vigias de plantão na areia avistam o cardume e avisam os pescadores; as canoas de um pau só lançam a rede ao mar, e o arrasto é puxado da praia pelos pescadores e por quem quiser ajudar. A tradição tem origem indígena, passa de geração em geração e é reconhecida como patrimônio cultural de Bombinhas e de Santa Catarina.
Onde acontece
A cozinha de Bombinhas começa na água. As águas abrigadas da Baía de Zimbros e de Canto Grande concentram a maricultura da cidade, e Bombinhas está entre os maiores produtores de moluscos cultivados de Santa Catarina. Em Zimbros dá para comprar peixe fresco e marisco recém-colhido das fazendas marinhas, e os restaurantes da cidade servem o que é cultivado aqui.
O cardápio da orla gira em torno do mar: sequência de camarão, peixe na brasa, ostra in natura ou gratinada, mexilhão ao vinagrete. No inverno, a tainha do arrasto aparece assada, escalada ou recheada.
Onde acontece
Para ver o sol nascer no mar, as praias indicadas são Quatro Ilhas, Mariscal e Canto Grande Mar de Fora. O pôr do sol é especial nas praias da Baía de Zimbros: Zimbros, Morrinhos e o Mar de Dentro de Canto Grande são os cenários do fim de tarde. E do topo do Morro do Macaco dá para ver os dois, com a península inteira em volta.
Para fotos, valem as mesmas vistas que premiam as trilhas: o topo do Morro do Macaco e o Mirante Eco 360°, com as ilhas da reserva no horizonte. Ao nível do mar, a água esverdeada da Sepultura, emoldurada por costões e mata, é um dos cartões-postais mais repetidos de Bombinhas, e a trilha curta sobre as dunas de Quatro Ilhas leva aos melhores pontos de vista das ilhas.

Onde acontece
Horários, valores e regras de acesso mudam: confirme com o órgão responsável antes de ir.
Morar por aqui
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